terça-feira, 13 de janeiro de 2009

(imagem do filme "O Carteiro e o Poeta", um dos meus preferidos)


Hoje acordei com vontade de ficar bem mais tempo na cama,

de comer alguma coisa que eu ainda não sei o que é,

de ler os poemas de Neruda,

de ficar sentindo o vento, fresquinho, batendo na minha pele

enquanto eu estivesse ouvindo o silêncio, a sós com Deus.

.

Estou no escritório,

está muito calor,

e eu já sei de cor e salteado o cardápio do restaurante vegetariano que eu almoço!

Ainda bem que um dos desejos eu posso pegar com a mão...




O Vento na Ilha - Pablo Nerruda



O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo



para me levar para longe.
Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.



Escuta como o vento
me chama galopando
para me levar para longe.
Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos



ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque



galopando na sombra,
entretanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite
descansarei, amor meu.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

...íamos sozinhos por estradas diferentes...



MEU DESTINO - Cora Coralina

"Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes
– íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida..."

.

(é, a vida nos surpreende enquanto caminhamos,
de começo à começo, por começos que não têm fim!)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sorrindo por dentro


É muito bom de vez em quando surpreender a si
mesmo fazendo as coisas fora do nosso próprio padrão.
A gente se sente assim:
vivo,
livre
e feliz...
sorrindo por dentro,
feito criança!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Canudinho

A descoberta da semana foi a cantora Renata Arruda em seu CD "Pegadas".
Gostei demais do trabalho da mulher!!!
Tem uma música chamada "Canudinho" que achei sensacional!!! Inclusive, foi usada numa propaganda do Guaraná.
Eu, que estava possuída pela "Síndrome do Papai Noel" (éh, com o saco beeeeeem cheio nesta semana que antecedem minhas férias, por umas bad news ao quadrado que ouvi, de forma que quase nada me dava gosto nem apetite, literalmente!), fiquei encantada com a simplicidade quase infantil usada nas metáforas.

"Se eu tivesse um canudinho, eu chupava você
Pra dentro do meu mundinho, pra comigo viver, pra comigo viver
Se eu tivesse um canudinho, eu me enchia de você
E acabava com o vazio, o vazio de viver
Se eu pudesse te liquefazer, eu te bebia até ficar de porre
Você me embebeda, você me enlouquece
Ai meu Deus, como você pode?!"


terça-feira, 2 de dezembro de 2008







Queria me deitar numa cama de flores
Macias e cheirosas
E fica lá bastante tempo
Até passar todo o cansaço da minha alma.....

terça-feira, 25 de novembro de 2008



Acordei
.
Olhei-me no espelho
.
Reparei em meus cabelos
.
Loiros, encaracolados e cheios...
.

ACHEI-ME PARECIDA COM O SOL!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quem é ella??

É dureza ter que conviver com uma pessoa que mora dentro de mim: ella é ansiosa, chata, crítica à 10ª potência, sensível ao extremo (chegando a ser patética!), frágil feito um papel e muito, muito irritada.

Eu não gosto della. Ella não é bem-vinda, mas aparece religiosamente todo mês. Chega sem avisar e se instala, ocupando um espaço considerável dos meus dias. O pior de tudo: ella tem a minha cara, a minha voz, , usa as minhas roupas, e ainda põe pra fora umas coisas que eu costumo deixar guardadas, bem trancadinhas, no calabouço do meu pensamento.
Ella me dá nos nervos.....
O nome della: Gra.zi.ella
.
Hoje o céu está "chorando" e eu estou com TPM.
Combinação perfeita!!
.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Coisas de Criança

Situações que só de ouvir me fizeram transbordar sorrisos, mesmo em dias nublados:

Pergunta de uma menininha de 3 anos sentada no “trono” diante da sua mamãe:
- Mãe, porque que pro cocô sair a gente tem q fazer força até a cabeça tremer?
-------------------------------------------------------
Do menininho de 5 anos que silenciosamente observava a tia-avó diante da penteadeira, com seus cremes, maquiagens e afins, se arrumando pra ir à Missa:
- Tia, porque a senhora está passando isso na cara?
- Oras, é pra tia ficar bonita!
Mais alguns segundos de silêncio e...:
- Então porque a senhora não fica?
---------------------------------------------------------
A menininha fazendo malabarismos entre o sofá e a mesinha de centro da sala.
-Filha, já te falei, desce já daí, senão você vai cair. Será que eu vou ter que puxar sua orelha?
A garotinha graciosa, pula para o chão e com os dedinhos em pinça estica a orelha pra cima:
-Pode deixar mãe, eu já desci e eu mesma puxo pra você.

(Essa estripulia fui eu que fiz. Dona Nonô me contou ontem e eu achei o máximo! Se um dia tiver uma filhinha, quero que ela seja “criativa” como eu. Só um pouquinho menos teimosa!!!)

Desabafo

Em tudo o que faço, em tudo o que penso, em tudo que eu espero,
não consigo me dar pela metade!
Mas preciso aprender, entre tantas outras coisas,
que o limite dos outros é diferente do meu,
e meu "ponto de vista" nada mais é que "a vista de um ponto".
Sofro por ser intensa, e as vezes tenho a impressão que vou acabar corcunda por teimar em carregar o mundo nas costas.
Isso cansa e as vezes desanima.
(É obvio! Ninguém foi feito pra carregar tanto peso!! A solicitude em demasia e a preocupação em excesso são ótimo disfarces para o orgulho e a auto suficiência!)




quinta-feira, 13 de novembro de 2008





Na tarde de ontem estava a escrever um texto.



Comecei a revisar e cortar o que não era muito interessante.



Não sobrou nada!!!!





SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.






segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Disquisição na insônia:

" Que é loucura; ser cavaleiro andante
Ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
Vê o real e segue o sonho?
Eis-me, talvez, o único maluco,
E me sabendo tal, sem grão de siso,
Sou - que doideira - um louco de juízo."

Carlos Drummond de Andrade sobre Dom Quixote.
(Este eu ofereço carinhosamente ao Hud... Esperança e coragem, meu rapaz! Se Deus quiser ainda vamos rir muito nesta vida, ouvindo uma boa música e tomando uma nos Arcos da Lapa, ou aqui em Sampa, ou quem sabe até mesmo em Brasília...porque para Ele nada é impossível!)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Seja como for, eu vou


Estou farta dos que amam e mentem.

Estou farta dos que mentem que amam.

Estou farta...
Seja como for, eu vou.
Como diria um amigo: "até podemos ficar tristes, mas não perdemos a esperança!".
Mais uma vez se torna vivo o que ensinou Cecília:
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".


Ônus
Lya Luft
A esperança me chama,
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom
presságio.
Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.

A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Corridinho


Adélia Prado


O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


(P.S: Recado para o amor: Por favor, me encontre...)

Elogio à solidão


“Essa solidão ilimitada,
que faz de cada dia uma vida,
essa comunhão com o universo,
o espaço numa palavra,
o espaço invisível
que o homem pode,entretanto,habitar
e que o cerca de inúmeras presenças”

Rainer Maria Rilke
(fantástica a ilustração de Rob Gonsalves!!)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Velha infância


Não ficou bem parecido comigo?!?!
hahahahahhahahahahaahaha
Para "brincar" de fazer caricaturas: http://www.faceyourmanga.com/
(Eu me diverti pra valer!!!!!)
"E a gente canta/E a gente dança/E a gente não se cansa
De ser criança/A gente brinca/Na nossa velha infância..."

Sou multidão

(a tela é de Rob Gonsalves, um pintor surrelista que conheci recentemente e gostei bastante!!)
No último dia 6/10 eu completei 28 aninhos de nascida...
Eu amo fazer aniversário! Pra mim sempre é uma data especial, sem que seja necessário haver festa e presentes. Eu me sinto feliz “só” em celebrar a vida! Viver é algo bom demais, e eu sou profundamente grata por este dom! O que me deixa mais feliz é ver que muitos amigos e amigas de uma forma ou de outra estiveram a celebrar comigo o meu dia, seja por um cartão, um email, um torpedo, uma ligação, um recado no orkut, um abraço carinhoso, uma música, uma visita... e isso me faz pensar ainda mais no sentido da vida, da minha vida. Não, definitivamente ela não é um conto de fadas onde não existem problemas difíceis de ser resolvidos, dívidas, TPM e outras coisinhas mais, mas é a minha vida, que nenhum homem ou mulher de nenhum outro tempo viveu ou irá viver, e que eu procuro saborear cultivando as virtudes, a paz e o bem. Aquela história de “faça o melhor que puder com a vida que Deus lhe deu” tem mais sentido quando a gente percebe que a nossa vida também tem sentido pra outras pessoas que amamos!


Fazendo uma pequena retrospectiva, eu olho pra minha história e a vejo tanta coisa boa e bonita, tanta gente que passou por mim e me fez crescer, seja pelo amor, seja pela dor...neste sentido eu poderia dizer que “sou uma multidão”: multidão de sentimentos, de pessoas queridas, de afetos, de desafetos (procuro não cultivá-los, mas querendo ou não eles acontecem!), de pensamentos, de opiniões, de medos, de dores, de lágrimas, de conquistas, de dúvidas (e de dívidas!!), de anseios, de buscas, de perdas, de encontros, de decepções, de erros, de vitórias, de aprendizados, de experiências, de esperanças, de amor...MULTIDÃO DE AMOR!!


Quando falo de “amor”, evoco antigo conceito grego que enxerga o amor de três diferentes formas: o EROS, que seria o amor de desejo,o amor entre um homem e uma mulher, o amor “carnal” por assim dizer; PHILIA, que seria o amor amizade; e o ÀGAPE que seria o amor que se doa, se entrega, amor de plenitude, o amor com que Deus nos ama e que somos chamados a amá-lo, e também aos irmãos.... Pra explicar melhor recomendo ler a encíclica Deus caritas est em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html, onde sobretudo na primeira parte Bento XVI trata do assunto com maestria...dali tiro este pedacinho:


“Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade — « apenas esta única pessoa » — e no sentido de ser « para sempre ». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade. Sim, o amor é « êxtase »; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus... . A este respeito, fomos dar com duas palavras fundamentais: eros como termo para significar o amor « mundano » e agape como expressão do amor fundado sobre a fé e por ela plasmado. As duas concepções aparecem frequentemente contrapostas como amor « ascendente » e amor « descendente ». Existem outras classificações afins como, por exemplo, a distinção entre amor possessivo e amor oblativo (amor concupiscentiæ – amor benevolentiæ), à qual, às vezes, se acrescenta ainda o amor que procura o próprio interesse.... Na realidade, eros e agape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará « existir para » o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom. Certamente, o homem pode — como nos diz o Senhor — tornar-se uma fonte donde correm rios de água viva (cf. Jo 7, 37-38); mas, para se tornar semelhante fonte, deve ele mesmo beber incessantemente da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo coração trespassado brota o amor de Deus (cf. Jo 19, 34).... . Encontramos, assim, uma primeira resposta, ainda bastante genérica, para as duas questões atrás expostas: no fundo, o « amor » é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas, quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor.”


Que pena que nem todos descobriram esta essência, esta identidade ágape do amor. E se alguém me perguntasse se eu mesma descobri, responderia:
- Certamente não por completo, mas ao menos a tenho tateado...


Beijo a todos os queridos!
Obrigado por fazerem da minha vida mais especial!
Paz e bem!

Para brindar a vida


E para brindar a vida:

Eu apenas queria que você soubesse - gonzaguinha

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008




Freqüentemente nos lamentamos: os tempos são difíceis, pesados e miseráveis….

Vivamos retamente e mudaremos os tempos.

Os tempos não ferem a ninguém.

Os feridos são os homens e esses mesmos são os que causam feridas.

Mudemos, pois os homens e mudaremos os tempos!”

Santo Agostinho (354-430)


Quanta sabedoria, não?!?!



Amigos e amigas,


Estou de volta a este recanto de letras...desculpem-me a ausência...não foi má vontade de escrever. Explico: Eu penso demais e as vezes parece que o caminho de transporte da idéia pro papel é longo e árduo (acho que já escrevi isso antes!), isso porque não gosto de escrever qualquer coisa, afinal de contas "o que foi escrito, documentado está"!

Além disso, aprendi com minha mãe (grande mulher que eu amo e admiro...) que precisamos sempre repartir o (nosso) melhor com as pessoas. Então escrever demanda tempo, dedicação, amor e conteúdo, e por isso mesmo, a maioria dos posts contém citações/poesias/canções que, por um motivo ou por outro, passaram a fazer parte da minha vida ou expressavam bem algo que eu estava sentindo no momento. Gosto muito de ler e ultimamente tenho gostado de visitar blogs alheios, além daqueles que eu já visito regularmente (embora nem sempre tenho deixado comentários...desculpem-me...também ainda não aprendi como deixar no meu blog o link dos que eu gosto muito...se alguém puder me ensinar, agradeço de monte!). Nesse mundo virtual a gente encontra coisas bizarras, mas também tanta coisa linda! Há pessoas que conseguem se expressar de tal forma que dá a impressão que a conhecemos de longa data, tamanha a empatia que acontece! Daí eu penso: puxa! não posso escrever qulaquer coisa....depois eu escrevo com mais calma, escrevo melhor...Daí o tempo passa, e quando vi, não escrevi nada!!!


Bah, fiquei aqui com minhas digressões e o tempo de escrever está acabando!

Fica como partilha a nobre mensagem de Santo Agostinho!

Busquemos a mudança, a conversão, a "metanóia" como diriam os Padres da Igreja (+/- Sec IV); uma mudança de atitude e pressupostos, pois não podemos ser transformados a menos que tenhamos antes sido limpos do que quer que se coloque contra a transformação. Não podemos ser transformados a menos que e tenhamos entendido o que desfigura o coração humano...


Beijos a todos!!


Paz e bem!!



quinta-feira, 31 de julho de 2008

- Ora (direis) ouvir estrelas!



- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.

E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?

E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!

(Olavo Bilac)
P.S.: Na imagem, a bela Antares, a estrela pela qual me apaixonei (culpa do Bruno - o menino dos olhos de jabuticaba - e da música do Stênio Március que, fazendo referência ao amor do Pai retratado na parábola do filho pródigo, canta: "mais fácil secar os mares/e apagar a estrela Antares/que arrancar o amor do seu coração). A título de curiosidade, Antares (Alpha Scorpii) é uma estrela de classe M (binária) situada há 520 anos-luz de distância, na constelação de Escorpião. Trata-se de uma supergigante vermelha, 700 vezes maior e 10.000 vezes mais brilhante que o nosso Sol !!!! ( Na foto, a maior...)
Sei que não tenho postado nada...desculpem-me...férias, né...
A todos que me visitam com frequência, (sem nomes, pra não cometer injustiças ok?!?!?) e tb aos novos amigos virtuais e outros anônimos que tem entrado aqui,
abraços do tamanho de Antares...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Poesia para os dias de rebeldia...


Não tem jeito! Por mais que procuremos ter ascese, auto-controle, boas maneiras, educação, delicadeza, sensibilidade e sensatez, tem dias que a gente acorda “daquele” jeito!!!! Quando isso acontece, acho que ajuda:

1) recolher-se em Deus;
2) falar o mínimo possível pra não magoar nem irritar ninguém (isso também evita ouvir coisas que te enervariam mais...);
3) ouvir uma boa música, comer alguma coisa gostosa, e quem sabe até tomar um vinho;
4) fazer algo que realmente dê prazer e eleve o bom ânimo (as vezes algumas coisas que elevam o bom ânimo não são tão prazerosas, por exemplo: capinar, ...mas funciona que é uma beleza!!).

O que me instiga a escrever hoje são aquelas “respostas prontas” que recebemos de vez em quando daquelas pessoas que não se lembram de nos ligar, de fazer uma visita, de mandar um email que seja...Essas pessoas raramente se preocupam em saber de fato como estamos, e quando perguntam, parecem que o fazem mais por convenção do que por qualquer outra coisa, tão indispostas estão de deixar um pouco de si na reciprocidade da pergunta. Parecem mesmo que querem arrancar algo do nosso íntimo para, em seguida, fartar-nos com suas “receitas de vida”, como aqueles bolos de caixinha que compramos semi-prontos, querendo que elas nos desçam goela abaixo! O pior é quando se percebe que aquele discurso parece ser para convencer a si mesmo (e não a outrem) de algo, tamanha a visível inquietude nas palavras do locutor! Quem já passou por isso sabe exatamente do que se trata!!!
Todos erramos, tropeçamos muito, caímos inúmeras vezes, mas isso é natural em qualquer percurso!
Penso que quando buscamos de coração sincero, a Verdade se deixa encontrar.

Mas para isso é preciso paciência, humildade, perseverança....



Cântico Negro (por José Régio)


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí!

Só vou por onde Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!