sexta-feira, 13 de março de 2009

Presente para os amigos



(Esta semana nem deu pra escrever nada, mas depois volto com mais calma. Mesmo assim, não poderia deixar de me fazer presente de outra forma, com criatividade...Bjocas a todos e paz ao coração!)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Construção - Des.construção - Re.construção





É sempre necessário olhar-nos a nós mesmo com um novo olhar. A realidade e o momento presente sempre nos oferecem inúmeras possibilidades de ser e reagir. Pode ser um erro, um chacoalhão, um choque, um acerto, um gozo, enfim, qual vida estaria isenta de dramas e escolhas? Mesmo que o coração anseie coisas mais altas, é preciso sempre voltar os pés para realidade.
Em nossa caminhada estamos sempre a construir. É quase impossível permanecermos inertes: com nossos sonhos, anseios, sentimentos e percepções construímos pontes, construímos muros, construímos castelos. Muitas vezes construímos na areia. Imagens que figuram como se fossem a realidade. Quero dizer que inúmeras vezes substituímos a realidade pela imagem - moldada às nossas convicções e anseios - que temos dela. Neste caso é preciso des.construir para poder acolher o real. É preciso des.construir o “ideal” que fazemos de Deus para que Ele se faça realmente presente, para que o acolhamos tal qual Ele é, tal qual se revelou na pessoa de Cristo; é preciso des.construir o ideal que fazemos das pessoas para que elas possam ser quem realmente são e assim termos certeza que as amamos (ou não) verdadeiramente; é preciso des.construir a imagem ideal que temos de nós para abraçar a realidade com seus limites e imperfeições poder re.construí-la nos seus verdadeiros moldes: à imagem e semelhança de Deus.

Isto é desafio! Dói, exige, constrange. Porém a verdade nos compele, sempre...

Ao longo do percurso poderemos cantar com o coração livre e feliz, parafraseando Cecília Meirelles: "aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre o amor




Pessoas, estava aqui a pensar na frase da Clarice Lispector:
"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata."
Tá bom Clarice, não mata! Mas dói um bocado. Por isso as vezes dá um meeeeeedo na gente...

(o quadrinho acima é do blog "Bichinhos de Jardim". Nasceu para abrigar o maravilhoso e inteligente trabalho da cartunista petropolitana Clara Gomes. Eu sou fã e recomendo!!! visitem: http://bichinhosdejardim.com/)

Remexendo no baú de dores



Ontem o dia estava pesado e difícil - por dentro - Sentia-me frágil como uma folha ao vento, com um soluço preso na garganta e o peito apertado...
Remexer em nosso "baú de dores" nunca é fácil. É preciso muito equilíbrio e maturidade para não deixar que os fantasmas da nossa memória tumultuem o momento presente, que realmente é um presente, um dom de Deus para nós. Fato é que podemos deixar esses fantasmas (escondidos no castelo de nossa memória afetiva)tomarem corpo e vida, e pior, tomarem a nossa própria vida, roubando-nos a alegria, liberdade e vivacidade. Como é fácil nos deixar levar por uma ventania de impressões, de medos, de inseguranças que NA GRANDE MAIORIA DAS VEZES NEM SÃO REAIS, existem apenas na nossa imaginação, nos nossos registros interiores.
É preciso coragem para encará-los de frente e paciência para esperar que eles se dissipem através de um profundo e verdadeiro processo de auto-conhecimento, de superação e de amor próprio (não egoísmo, que só reforça a auto-piedade e inércia interior, mas amor-próprio verdadeiro, nascido da experiência de quem se conhece, quem "toca" com as mãos a própria miséria e ainda assim se sabe amado por Deus.

Chegou-me este texto da Lya, como um abraço. Consolo para dias gris...Deo gracias...

"Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias."

O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Artista...ou arteira!



Essa é a "arte" que fiz na tarde de ontem, naqueles hiatos de folga ao longo do expediente!
Parece coisa de criança, eu sei! Mas...e daí?!
Quando a gente está amando, tudo ganha um novo sentido!

Paz e bem!



Quando estava de férias, quis aproveitar para ler um pouco mais. Por indicação do Lê (Oi Lê, você me lê??? rsrs) resolvi ler Lya Luft. Não achei o 'Perdas e Danos', mas a Déia me emprestou o seu 'Pensar é transgredir' (vou devolver, prometo..mas antes reemprestei à outra amiga....). Um livro gostoso de ler, com contos curtinhos. ma.ra.vi.lho.so!! Gosto do jeito da Lya escrever. Tem um conto em particular, que me chamou atenção. Eu o li num sábado de manhã. Amo os sábados, sobretudo os sábados de manhã. Me parecem sempre frescos, alegres. Talvez por ser um dia dedicado à Nossa Senhora, a mãezinha do Céu que eu tanto amo. Também porque é um dia livre, de descanso, de cuidar de si e da casa, de dormir mais e também sair sem se preocupar com o dia seguinte, ouvir música, tocar violão...O conto enfeitou o sábado, e me trouxe presente muitas pessoas que convivi e que amo de montão. Sabe quando a gente lê algo e pensa: queria que tal pessoa lesse isso..? Então! O conto me fez abraçar algumas amigas que naquela hora estavam fisicamente longe, mas sempre presentes no meu coração. Falo da Iza, da Clara, da Lu, da Paty, da Rê, da Dri, da Chris, da Mari, e também do Dani, do Dal, enfim...pedaços de mim.

Achei o texto na net. Vou deixar aqui, inteirinho como a Lya escreveu, sem cortes, da mesma forma que o meu coração é de vocês.

bjocas

"Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Os seis GRANDES perigos que atacam e destroem a vida em nós




Os seis GRANDES perigos que atacam e destroem a vida em nós:
rotina, mediocridade, omissão, apego, preocupação e idolatria


O primeiro deles é «a rotina». «É a preguiça, pois a rotina torna a vida sem graça, monótona, sem expectativa de melhoria e de transformação. A rotina é a morte do cotidiano, o desprezo dos valores e das maravilhas. É um caminho destrutivo», destaca.

Em segundo lugar a mediocridade. «A pessoa medíocre não quer saber de estudo, da participação, de transformação. Vive na alienação, contenta-se com o menos, não quer compromisso.» «Faz um 'pacto com mediocridade', isto é, com uma vida sem sacrifício, sem lutas, sem responsabilidade com muita indiferença e desinteresse. A pessoa medíocre é inimiga da disciplina e do sacrifício, gosta de gabar-se de seus pecados e de criticar e diminuir os outros. Desposa a superficialidade.
A mediocridade pode ser curada com a força de vontade, buscando convicções e mudanças construtivas.

Em terceiro lugar: «as omissões». «Omissão é deixar de fazer o que devemos e podemos, como também, fazer mal o que podemos fazer de um modo bem melhor».
«A omissão é escape, fuga, desinteresse, irresponsabilidade. O mundo seria outro, se não fôssemos omissos e acomodados».
As omissões podem ser vencidas «adquirindo o senso de justiça, a sensibilidade pelos outros, a compaixão pelo irmão e principalmente a autenticidade».

Segue-se «o apego», «raiz do sofrimento moral». «Nossas brigas, ciúmes, discórdias, divisões são frutos do apego. Quem é apegado vive numa prisão. É escravo da dependência. Não tem liberdade interior. Não é capaz de discernimento».
«O apego nos impele à posse dos outros, das coisas e de nós mesmos. Isso gera muito sofrimento porque precisamos defender nossos apegos. Quando perdemos o objeto do apego ficamos raivosos, tristes, decepcionados, porque somos escravos, dependentes, condicionados pelo apego.»
O único caminho de libertar-se do apego «é abandonar o objeto de apego, cuja recompensa é a liberdade interior, que significa sermos livres do mal, para nos tornamos livres para a prática do bem. Vencemos o apego pela consciência do seu negativismo».

Em quinto lugar, o perigo da preocupação. «A preocupação antecipa problemas, aumenta as dificuldades, desgasta as pessoas e não resolve nenhum problema».
«O que resolve é a ocupação. Além de prejudicar a saúde, a preocupação dificulta a convivência, alimenta o negativismo, o stress e agressividade. Resolvemos o problema da preocupação com a fé na Providencia Divina, com a previsão das soluções, com o bom senso e o discernimento. Mais solução, menos preocupação»!

Por último: o perigo da «idolatria». «É tudo o que colocamos no lugar de Deus e endeusamos. Os grandes ídolos hoje são o poder, o prazer, o ter desordenados».
«Quem adora a Deus obedece o mandamento do amor a Deus, busca crescer na fé, livra-se dos ídolos. Adorar em espírito e verdade.

(D. Orlando Brandes, Arcepispo de Londrina/ PR- Brasil)

Tá, eu sei que faz um tempinho que não estou escrevendo. Como diz Adélia Prado: "Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome..." (podem entender literalmente!!) mas ler este texto de D.Orlando foi um estalo!
Bjocas

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Licença de dormir




Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
.
(Adélia Prado)


O corpo dói. Cabeça, costas, pescoço, varizes. O corpo dói, mas o coração está feliz. Outrora o corpo estava bom, mas o coração doía. Já teve vezes de estar tudo bem, mas hoje o corpo, um pouco mais velho e maduro dói e queria mimos: cama, aconchego, cafuné, leite quentinho, quem sabe uma massagem.
Ontem cheguei em casa cedo, estava sozinha. Gosto incrivelmente de ficar comigo! também de ficar com Ele, o Altíssimo, num silêncio profundo e fecundo, sem muitas formalidades.
Fui me cuidar, me mimar um pouco, coisas que eu não fazia antigamente: banho demorado, hidratação nos cabelos, esfoliação na pele, creminho cheiroso, auto-massagem ouvindo chorinho (delícia!), pão com carne e catchup, whiski com guaraná, alongamento, dançar na frente do espelho...Lembrei da adolescência: época de colégio, amizades e hábitos esquisitos. Eu tinha meu lado "hippongo" que até hoje perdura em algumas situações : roupas estranhas que niguém gosta só eu (tá, hoje eu manero, quase não uso, mas gossssto!!) - bijuterias de artesanato (uso sempre, sempre, amooo) - estar sempre preparada pra dormir em qualquer canto (escova de dente na bolsa, fio dental (que não fico sem) e disposição para enfrentar desafios inesperados hahaha) - achar que todo mundo é bom, honesto, e confiável (e quebrar a cara "N" vezes, mas insisto em permanecer assim!!) - gostar de conhecer gente nova e já achar que são meus super-amigos (as vezes não dá certo!) - ser intensa, muito intensa!!!!
A gente amadurece, e isso é bom, aliás ótimo. Algumas coisas necessariamente mudam, a gente se cuida mais, se perdoa mais, se admira mais, alguns hábitos que você nunca imaginou passam a fazer parte da rotina (creminho anti-rugas e hidratante todo dia porque a pele não é mais a mesma, controlar o doce e os carboidratos porque o metabolismo fica mais lento, a maldita depilação que dói horrores mas a gente faz pra ficar bonita, manter o glamour e o sorriso quando se quer mandar determinada pessoa à m..., saber - e acreditar de verdade - que quando a tpm passar tudo voltará a ser como antes, sobretudo você mesma..hoahaohaohaoahohaoahaohaoao)!
Eita, viver é bom demais! Por mais que o corpo esteja dolorido, o coração está cantando...
Beijocas!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Espelho




Assim somos nós: um emaranhado de pensamentos que carregam os sinais do passado, feito mar em dia de ressaca; feito vento que nos leva a direções nunca antes imaginadas; feito sol que diariamente morre para renascer de novo, com mais brilho e esperança...
És intenso, como eu. Tem horas que pareço me olhar no espelho...Deus meu! Mas o tempo e as vicissitudes da vida me ensinaram a buscar um pouco mais de equilíbrio: saber calar, ouvir mais atentamente, observar o que se passa por dentro e por fora, em mim e nos outros, ter paciência.
Tens medo, eu também. Ninguém deseja sangrar por dentro mais uma vez. As dores passam, o mal é perdoado, mas a memória fica viva e é ela quem nos mete num cárcere, se assim permitirmos.
A vida e o tempo (enquanto dádivas do Altíssimo) sempre se encarregam de nos dar as oportunidades necessárias: refazer algo, superar um trauma, transpor algum limite, colocar um ponto final em algo que teima em incomodar, susbtituir um registro interior negativo por um positivo, amar mais e melhor, perdoar e perdoar-se, abraçar o novo... enfim, ser feliz!

Revelação - Lya Luft

Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo - a não se partires.

Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do ultimo desencanto.

Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.

Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.

Auto-Conhecimento

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ensaio sobre a Amizade, por Lya Luft



"Nesta página, hoje, sem razão especial
nem data marcada, estou homenageando
aqueles que têm estado comigo seja
como for, para o que der e vier"


Que qualidade primeira a gente deve esperar de alguém com quem pretende um relacionamento? Perguntou-me o jovem jornalista, e lhe respondi: aquelas que se esperaria do melhor amigo. O resto, é claro, seriam os ingredientes da paixão, que vão além da amizade. Mas a base estaria ali: na confiança, na alegria de estar junto, no respeito, na admiração. Na tranqüilidade. Em não poder imaginar a vida sem aquela pessoa. Em algo além de todos os nossos limites e desastres.

Talvez seja um bom critério. Não digo de escolha, pois amor é instinto e intuição, mas uma dessas opções mais profundas, arcaicas, que a gente faz até sem saber, para ser feliz ou para se destruir. Eu não quereria como parceiro de vida quem não pudesse querer como amigo. E amigos fazem parte de meus alicerces emocionais: são um dos ganhos que a passagem do tempo me concedeu. Falo daquela pessoa para quem posso telefonar, não importa onde ela esteja nem a hora do dia ou da madrugada, e dizer: "Estou mal, preciso de você". E ele ou ela estará comigo pegando um carro, um avião, correndo alguns quarteirões a pé, ou simplesmente ficando ao telefone o tempo necessário para que eu me recupere, me reencontre, me reaprume, não me mate, seja lá o que for.

Mais reservada do que expansiva num primeiro momento, mais para tímida, tive sempre muitos conhecidos e poucas, mas reais, amizades de verdade, dessas que formam, com a família, o chão sobre o qual a gente sabe que pode caminhar. Sem elas, eu provavelmente nem estaria aqui. Falo daquelas amizades para as quais eu sou apenas eu, uma pessoa com manias e brincadeiras, eventuais tristezas, erros e acertos, os anos de chumbo e uma generosa parte de ganhos nesta vida. Para eles não sou escritora, muito menos conhecida de público algum: sou gente.

A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem o ônus do ciúme – o que é, cá entre nós, uma bela vantagem. Ser amigo é rir junto, é dar o ombro para chorar, é poder criticar (com carinho, por favor), é poder apresentar namorado ou namorada, é poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma. Amiga é aquela a quem se pode ligar quando a gente está com febre e não quer sair para pegar as crianças na chuva: a amiga vai, e pega junto com as dela ou até mesmo se nem tem criança naquele colégio.

Amigo é aquele a quem a gente recorre quando se angustia demais, e ele chega confortando, chamando de "minha gatona" mesmo que a gente esteja um trapo. Amigo, amiga, é um dom incrível, isso eu soube desde cedo, e não viveria sem eles. Conheci uma senhora que se vangloriava de não precisar de amigos: "Tenho meu marido e meus filhos, e isso me basta". O marido morreu, os filhos seguiram sua vida, e ela ficou num deserto sem oásis, injuriada como se o destino tivesse lhe pregado uma peça. Mais de uma vez se queixou, e nunca tive coragem de lhe dizer, àquela altura, que a vida é uma construção, também a vida afetiva. E que amigos não nascem do nada como frutos do acaso: são cultivados com... amizade. Sem esforço, sem adubos especiais, sem método nem aflição: crescendo como crescem as árvores e as crianças quando não lhes faltam nem luz nem espaço nem afeto.

Quando em certo período o destino havia aparentemente tirado de baixo de mim todos os tapetes e perdi o prumo, o rumo, o sentido de tudo, foram amigos, amigas, e meus filhos, jovens adultos já revelados amigos, que seguraram as pontas. E eram pontas ásperas aquelas. Agüentei, persisti, e continuei amando a vida, as pessoas e a mim mesma (como meu amado amigo Erico Verissimo, "eu me amo mas não me admiro") o suficiente para não ficar amarga. Pois, além de acreditar no mistério de tudo o que nos acontece, eu tinha aqueles amigos. Com eles, sem grandes conversas nem palavras explícitas, aprendi solidariedade, simplicidade, honestidade, e carinho.

Nesta página, hoje, sem razão especial nem data marcada, estou homenageando aqueles, aquelas, que têm estado comigo seja como for, para o que der e vier, mesmo quando estou cansada, estou burra, estou irritada ou desatinada, pois às vezes eu sou tudo isso, ah!, sim. E o bom mesmo é que na amizade, se verdadeira, a gente não precisa se sacrificar nem compreender nem perdoar nem fazer malabarismos sexuais nem inventar desculpas nem esconder rugas ou tristezas. A gente pode simplesmente ser: que alívio, neste mundo complicado e desanimador, deslumbrante e terrível, fantástico e cansativo. Pois o verdadeiro amigo é confiável e estimulante, engraçado e grave, às vezes irritante; pode se afastar, mas sabemos que retorna; ele nos agüenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser melhores: como o verdadeiro amor.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

aprendi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Aprendi a postar vídeos no blog!

Agora aguentem...rsrsrsrs

(Falta ainda descobrir como colocar no lado direito os liks dos blogs que eu gosto muito, mas devagarinho chego lá...)

bacchi,

Grazi

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes





...Voltar à ser, de repente,
tão frágil em um segundo,
Voltar à sentir-se importante
como uma criança diante à Deus
Isso é o que sinto eu neste grande momento .
O amor é repleto de uma pureza original...
Até um feroz animal sussurra ao seu doce trino.
Detêm os peregrinos, libera os prisioneiros,
O amor com seus esmeros, volta o velho à criança,
E ao mal, só o carinho lhe transforma em puro e sincero.
Só o amor com sua ciência nos faz novamente tão inocentes...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O vento da vida pôs-te ali...







Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Pablo Neruda
Neruda, ah Neruda ... tão lindamente cantas o amor (com uma precisão metafórica inigualável) que me faz crer que não há um homem sequer neste mundo que não tenha descoberto e experimentado dentro de si, da forma que for, a poesia. Mesmo que esta jamais venha a ser dada à luz...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Verão na sala - Clarice Lispector







Com o leque ela pensa alguma coisa. Ela pensa o leque e com o leque se abana. E com o leque fecha de súbito o pensamento num estalido, vazia, sorridente, rígida, ausente. O leque distraído e aberto no peito. “A vida é mesmo engraçada”, concorda ela como visita que é recebida na sala de visitas. Mas num alvoroço controlado, eis que se abana de súbito com mil asas de pardal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

(imagem do filme "O Carteiro e o Poeta", um dos meus preferidos)


Hoje acordei com vontade de ficar bem mais tempo na cama,

de comer alguma coisa que eu ainda não sei o que é,

de ler os poemas de Neruda,

de ficar sentindo o vento, fresquinho, batendo na minha pele

enquanto eu estivesse ouvindo o silêncio, a sós com Deus.

.

Estou no escritório,

está muito calor,

e eu já sei de cor e salteado o cardápio do restaurante vegetariano que eu almoço!

Ainda bem que um dos desejos eu posso pegar com a mão...




O Vento na Ilha - Pablo Nerruda



O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo



para me levar para longe.
Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável.



Escuta como o vento
me chama galopando
para me levar para longe.
Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos



ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar.
Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque



galopando na sombra,
entretanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite
descansarei, amor meu.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

...íamos sozinhos por estradas diferentes...



MEU DESTINO - Cora Coralina

"Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes
– íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida..."

.

(é, a vida nos surpreende enquanto caminhamos,
de começo à começo, por começos que não têm fim!)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sorrindo por dentro


É muito bom de vez em quando surpreender a si
mesmo fazendo as coisas fora do nosso próprio padrão.
A gente se sente assim:
vivo,
livre
e feliz...
sorrindo por dentro,
feito criança!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Canudinho

A descoberta da semana foi a cantora Renata Arruda em seu CD "Pegadas".
Gostei demais do trabalho da mulher!!!
Tem uma música chamada "Canudinho" que achei sensacional!!! Inclusive, foi usada numa propaganda do Guaraná.
Eu, que estava possuída pela "Síndrome do Papai Noel" (éh, com o saco beeeeeem cheio nesta semana que antecedem minhas férias, por umas bad news ao quadrado que ouvi, de forma que quase nada me dava gosto nem apetite, literalmente!), fiquei encantada com a simplicidade quase infantil usada nas metáforas.

"Se eu tivesse um canudinho, eu chupava você
Pra dentro do meu mundinho, pra comigo viver, pra comigo viver
Se eu tivesse um canudinho, eu me enchia de você
E acabava com o vazio, o vazio de viver
Se eu pudesse te liquefazer, eu te bebia até ficar de porre
Você me embebeda, você me enlouquece
Ai meu Deus, como você pode?!"


terça-feira, 2 de dezembro de 2008







Queria me deitar numa cama de flores
Macias e cheirosas
E fica lá bastante tempo
Até passar todo o cansaço da minha alma.....