terça-feira, 25 de novembro de 2008



Acordei
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Olhei-me no espelho
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Reparei em meus cabelos
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Loiros, encaracolados e cheios...
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ACHEI-ME PARECIDA COM O SOL!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Quem é ella??

É dureza ter que conviver com uma pessoa que mora dentro de mim: ella é ansiosa, chata, crítica à 10ª potência, sensível ao extremo (chegando a ser patética!), frágil feito um papel e muito, muito irritada.

Eu não gosto della. Ella não é bem-vinda, mas aparece religiosamente todo mês. Chega sem avisar e se instala, ocupando um espaço considerável dos meus dias. O pior de tudo: ella tem a minha cara, a minha voz, , usa as minhas roupas, e ainda põe pra fora umas coisas que eu costumo deixar guardadas, bem trancadinhas, no calabouço do meu pensamento.
Ella me dá nos nervos.....
O nome della: Gra.zi.ella
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Hoje o céu está "chorando" e eu estou com TPM.
Combinação perfeita!!
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Coisas de Criança

Situações que só de ouvir me fizeram transbordar sorrisos, mesmo em dias nublados:

Pergunta de uma menininha de 3 anos sentada no “trono” diante da sua mamãe:
- Mãe, porque que pro cocô sair a gente tem q fazer força até a cabeça tremer?
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Do menininho de 5 anos que silenciosamente observava a tia-avó diante da penteadeira, com seus cremes, maquiagens e afins, se arrumando pra ir à Missa:
- Tia, porque a senhora está passando isso na cara?
- Oras, é pra tia ficar bonita!
Mais alguns segundos de silêncio e...:
- Então porque a senhora não fica?
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A menininha fazendo malabarismos entre o sofá e a mesinha de centro da sala.
-Filha, já te falei, desce já daí, senão você vai cair. Será que eu vou ter que puxar sua orelha?
A garotinha graciosa, pula para o chão e com os dedinhos em pinça estica a orelha pra cima:
-Pode deixar mãe, eu já desci e eu mesma puxo pra você.

(Essa estripulia fui eu que fiz. Dona Nonô me contou ontem e eu achei o máximo! Se um dia tiver uma filhinha, quero que ela seja “criativa” como eu. Só um pouquinho menos teimosa!!!)

Desabafo

Em tudo o que faço, em tudo o que penso, em tudo que eu espero,
não consigo me dar pela metade!
Mas preciso aprender, entre tantas outras coisas,
que o limite dos outros é diferente do meu,
e meu "ponto de vista" nada mais é que "a vista de um ponto".
Sofro por ser intensa, e as vezes tenho a impressão que vou acabar corcunda por teimar em carregar o mundo nas costas.
Isso cansa e as vezes desanima.
(É obvio! Ninguém foi feito pra carregar tanto peso!! A solicitude em demasia e a preocupação em excesso são ótimo disfarces para o orgulho e a auto suficiência!)




quinta-feira, 13 de novembro de 2008





Na tarde de ontem estava a escrever um texto.



Comecei a revisar e cortar o que não era muito interessante.



Não sobrou nada!!!!





SONETO ANTIGO

Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.






segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Disquisição na insônia:

" Que é loucura; ser cavaleiro andante
Ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado,
Vê o real e segue o sonho?
Eis-me, talvez, o único maluco,
E me sabendo tal, sem grão de siso,
Sou - que doideira - um louco de juízo."

Carlos Drummond de Andrade sobre Dom Quixote.
(Este eu ofereço carinhosamente ao Hud... Esperança e coragem, meu rapaz! Se Deus quiser ainda vamos rir muito nesta vida, ouvindo uma boa música e tomando uma nos Arcos da Lapa, ou aqui em Sampa, ou quem sabe até mesmo em Brasília...porque para Ele nada é impossível!)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Seja como for, eu vou


Estou farta dos que amam e mentem.

Estou farta dos que mentem que amam.

Estou farta...
Seja como for, eu vou.
Como diria um amigo: "até podemos ficar tristes, mas não perdemos a esperança!".
Mais uma vez se torna vivo o que ensinou Cecília:
"Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira".


Ônus
Lya Luft
A esperança me chama,
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom
presságio.
Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.

A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Corridinho


Adélia Prado


O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


(P.S: Recado para o amor: Por favor, me encontre...)

Elogio à solidão


“Essa solidão ilimitada,
que faz de cada dia uma vida,
essa comunhão com o universo,
o espaço numa palavra,
o espaço invisível
que o homem pode,entretanto,habitar
e que o cerca de inúmeras presenças”

Rainer Maria Rilke
(fantástica a ilustração de Rob Gonsalves!!)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Velha infância


Não ficou bem parecido comigo?!?!
hahahahahhahahahahaahaha
Para "brincar" de fazer caricaturas: http://www.faceyourmanga.com/
(Eu me diverti pra valer!!!!!)
"E a gente canta/E a gente dança/E a gente não se cansa
De ser criança/A gente brinca/Na nossa velha infância..."

Sou multidão

(a tela é de Rob Gonsalves, um pintor surrelista que conheci recentemente e gostei bastante!!)
No último dia 6/10 eu completei 28 aninhos de nascida...
Eu amo fazer aniversário! Pra mim sempre é uma data especial, sem que seja necessário haver festa e presentes. Eu me sinto feliz “só” em celebrar a vida! Viver é algo bom demais, e eu sou profundamente grata por este dom! O que me deixa mais feliz é ver que muitos amigos e amigas de uma forma ou de outra estiveram a celebrar comigo o meu dia, seja por um cartão, um email, um torpedo, uma ligação, um recado no orkut, um abraço carinhoso, uma música, uma visita... e isso me faz pensar ainda mais no sentido da vida, da minha vida. Não, definitivamente ela não é um conto de fadas onde não existem problemas difíceis de ser resolvidos, dívidas, TPM e outras coisinhas mais, mas é a minha vida, que nenhum homem ou mulher de nenhum outro tempo viveu ou irá viver, e que eu procuro saborear cultivando as virtudes, a paz e o bem. Aquela história de “faça o melhor que puder com a vida que Deus lhe deu” tem mais sentido quando a gente percebe que a nossa vida também tem sentido pra outras pessoas que amamos!


Fazendo uma pequena retrospectiva, eu olho pra minha história e a vejo tanta coisa boa e bonita, tanta gente que passou por mim e me fez crescer, seja pelo amor, seja pela dor...neste sentido eu poderia dizer que “sou uma multidão”: multidão de sentimentos, de pessoas queridas, de afetos, de desafetos (procuro não cultivá-los, mas querendo ou não eles acontecem!), de pensamentos, de opiniões, de medos, de dores, de lágrimas, de conquistas, de dúvidas (e de dívidas!!), de anseios, de buscas, de perdas, de encontros, de decepções, de erros, de vitórias, de aprendizados, de experiências, de esperanças, de amor...MULTIDÃO DE AMOR!!


Quando falo de “amor”, evoco antigo conceito grego que enxerga o amor de três diferentes formas: o EROS, que seria o amor de desejo,o amor entre um homem e uma mulher, o amor “carnal” por assim dizer; PHILIA, que seria o amor amizade; e o ÀGAPE que seria o amor que se doa, se entrega, amor de plenitude, o amor com que Deus nos ama e que somos chamados a amá-lo, e também aos irmãos.... Pra explicar melhor recomendo ler a encíclica Deus caritas est em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html, onde sobretudo na primeira parte Bento XVI trata do assunto com maestria...dali tiro este pedacinho:


“Faz parte da evolução do amor para níveis mais altos, para as suas íntimas purificações, que ele procure agora o carácter definitivo, e isto num duplo sentido: no sentido da exclusividade — « apenas esta única pessoa » — e no sentido de ser « para sempre ». O amor compreende a totalidade da existência em toda a sua dimensão, inclusive a temporal. Nem poderia ser de outro modo, porque a sua promessa visa o definitivo: o amor visa a eternidade. Sim, o amor é « êxtase »; êxtase, não no sentido de um instante de inebriamento, mas como caminho, como êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, precisamente dessa forma, para o reencontro de si mesmo, mais ainda para a descoberta de Deus... . A este respeito, fomos dar com duas palavras fundamentais: eros como termo para significar o amor « mundano » e agape como expressão do amor fundado sobre a fé e por ela plasmado. As duas concepções aparecem frequentemente contrapostas como amor « ascendente » e amor « descendente ». Existem outras classificações afins como, por exemplo, a distinção entre amor possessivo e amor oblativo (amor concupiscentiæ – amor benevolentiæ), à qual, às vezes, se acrescenta ainda o amor que procura o próprio interesse.... Na realidade, eros e agape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará « existir para » o outro. Assim se insere nele o momento da agape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom. Certamente, o homem pode — como nos diz o Senhor — tornar-se uma fonte donde correm rios de água viva (cf. Jo 7, 37-38); mas, para se tornar semelhante fonte, deve ele mesmo beber incessantemente da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo coração trespassado brota o amor de Deus (cf. Jo 19, 34).... . Encontramos, assim, uma primeira resposta, ainda bastante genérica, para as duas questões atrás expostas: no fundo, o « amor » é uma única realidade, embora com distintas dimensões; caso a caso, pode uma ou outra dimensão sobressair mais. Mas, quando as duas dimensões se separam completamente uma da outra, surge uma caricatura ou, de qualquer modo, uma forma redutiva do amor.”


Que pena que nem todos descobriram esta essência, esta identidade ágape do amor. E se alguém me perguntasse se eu mesma descobri, responderia:
- Certamente não por completo, mas ao menos a tenho tateado...


Beijo a todos os queridos!
Obrigado por fazerem da minha vida mais especial!
Paz e bem!

Para brindar a vida


E para brindar a vida:

Eu apenas queria que você soubesse - gonzaguinha

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008




Freqüentemente nos lamentamos: os tempos são difíceis, pesados e miseráveis….

Vivamos retamente e mudaremos os tempos.

Os tempos não ferem a ninguém.

Os feridos são os homens e esses mesmos são os que causam feridas.

Mudemos, pois os homens e mudaremos os tempos!”

Santo Agostinho (354-430)


Quanta sabedoria, não?!?!



Amigos e amigas,


Estou de volta a este recanto de letras...desculpem-me a ausência...não foi má vontade de escrever. Explico: Eu penso demais e as vezes parece que o caminho de transporte da idéia pro papel é longo e árduo (acho que já escrevi isso antes!), isso porque não gosto de escrever qualquer coisa, afinal de contas "o que foi escrito, documentado está"!

Além disso, aprendi com minha mãe (grande mulher que eu amo e admiro...) que precisamos sempre repartir o (nosso) melhor com as pessoas. Então escrever demanda tempo, dedicação, amor e conteúdo, e por isso mesmo, a maioria dos posts contém citações/poesias/canções que, por um motivo ou por outro, passaram a fazer parte da minha vida ou expressavam bem algo que eu estava sentindo no momento. Gosto muito de ler e ultimamente tenho gostado de visitar blogs alheios, além daqueles que eu já visito regularmente (embora nem sempre tenho deixado comentários...desculpem-me...também ainda não aprendi como deixar no meu blog o link dos que eu gosto muito...se alguém puder me ensinar, agradeço de monte!). Nesse mundo virtual a gente encontra coisas bizarras, mas também tanta coisa linda! Há pessoas que conseguem se expressar de tal forma que dá a impressão que a conhecemos de longa data, tamanha a empatia que acontece! Daí eu penso: puxa! não posso escrever qulaquer coisa....depois eu escrevo com mais calma, escrevo melhor...Daí o tempo passa, e quando vi, não escrevi nada!!!


Bah, fiquei aqui com minhas digressões e o tempo de escrever está acabando!

Fica como partilha a nobre mensagem de Santo Agostinho!

Busquemos a mudança, a conversão, a "metanóia" como diriam os Padres da Igreja (+/- Sec IV); uma mudança de atitude e pressupostos, pois não podemos ser transformados a menos que tenhamos antes sido limpos do que quer que se coloque contra a transformação. Não podemos ser transformados a menos que e tenhamos entendido o que desfigura o coração humano...


Beijos a todos!!


Paz e bem!!



quinta-feira, 31 de julho de 2008

- Ora (direis) ouvir estrelas!



- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.

E conversamos longo tempo, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Ainda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: - Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem quando estão contigo?

E eu vos direi: - Amai para entendê-las,
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas!

(Olavo Bilac)
P.S.: Na imagem, a bela Antares, a estrela pela qual me apaixonei (culpa do Bruno - o menino dos olhos de jabuticaba - e da música do Stênio Március que, fazendo referência ao amor do Pai retratado na parábola do filho pródigo, canta: "mais fácil secar os mares/e apagar a estrela Antares/que arrancar o amor do seu coração). A título de curiosidade, Antares (Alpha Scorpii) é uma estrela de classe M (binária) situada há 520 anos-luz de distância, na constelação de Escorpião. Trata-se de uma supergigante vermelha, 700 vezes maior e 10.000 vezes mais brilhante que o nosso Sol !!!! ( Na foto, a maior...)
Sei que não tenho postado nada...desculpem-me...férias, né...
A todos que me visitam com frequência, (sem nomes, pra não cometer injustiças ok?!?!?) e tb aos novos amigos virtuais e outros anônimos que tem entrado aqui,
abraços do tamanho de Antares...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Poesia para os dias de rebeldia...


Não tem jeito! Por mais que procuremos ter ascese, auto-controle, boas maneiras, educação, delicadeza, sensibilidade e sensatez, tem dias que a gente acorda “daquele” jeito!!!! Quando isso acontece, acho que ajuda:

1) recolher-se em Deus;
2) falar o mínimo possível pra não magoar nem irritar ninguém (isso também evita ouvir coisas que te enervariam mais...);
3) ouvir uma boa música, comer alguma coisa gostosa, e quem sabe até tomar um vinho;
4) fazer algo que realmente dê prazer e eleve o bom ânimo (as vezes algumas coisas que elevam o bom ânimo não são tão prazerosas, por exemplo: capinar, ...mas funciona que é uma beleza!!).

O que me instiga a escrever hoje são aquelas “respostas prontas” que recebemos de vez em quando daquelas pessoas que não se lembram de nos ligar, de fazer uma visita, de mandar um email que seja...Essas pessoas raramente se preocupam em saber de fato como estamos, e quando perguntam, parecem que o fazem mais por convenção do que por qualquer outra coisa, tão indispostas estão de deixar um pouco de si na reciprocidade da pergunta. Parecem mesmo que querem arrancar algo do nosso íntimo para, em seguida, fartar-nos com suas “receitas de vida”, como aqueles bolos de caixinha que compramos semi-prontos, querendo que elas nos desçam goela abaixo! O pior é quando se percebe que aquele discurso parece ser para convencer a si mesmo (e não a outrem) de algo, tamanha a visível inquietude nas palavras do locutor! Quem já passou por isso sabe exatamente do que se trata!!!
Todos erramos, tropeçamos muito, caímos inúmeras vezes, mas isso é natural em qualquer percurso!
Penso que quando buscamos de coração sincero, a Verdade se deixa encontrar.

Mas para isso é preciso paciência, humildade, perseverança....



Cântico Negro (por José Régio)


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí!

Só vou por onde Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fragmentos de sol


Estrelas claras

Olhos da noite

Beleza rara

Fragmentos de sol

Entrelaçam-se na alma, serena,

Tateando mistérios

Sussurrando amor...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

uMa PrOvOcAçÃo



Dia frio, de tons gris,
O sol timidamente, em seu curso, rasga as nuvens.
Paisagem: a gente enxerga o que é,
Entretanto, alguns olhares vêem diferente.
O artista pode ainda fazer alguns retoques
Nas figuras, nos sons, na tela do (in)consciente.
Talvez a imagem da verdade seja abstrata,
Abstrata mas não irreal.
E pode se tornar concreta
Se tu consegues fazer com que outros a vejam contigo,
Através de ti
.

VOU RECORTAR PEDAÇOS DE SOL E COLAR EM TODOS OS BURACOS DA MINHA TELA!

O asfalto embrutece a terra?????????


Asfaltaram minha rua... A única rua do bairro que não tinha asfalto (embora constasse como asfaltada em todos os documentos da Prefeitura).

Agora as crianças já não podem brincar tranqüilamente, pois os carros por lá cortam caminho voando pra chegar mais rápido à USP.
Nós pedestres precisamos olhar pra atravessar a rua e não podemos andar sossegadamente em qualquer lugar, pois os carros estão sempre passando apressados, e nos olham feio quando estamos fora da calçada. Bom lembrar que a prefeitura sequer olhou pras calçadas... tá certo que cada morador tem que arrumar a sua própria calçada, mas a maior parte da rua é a traseira de um condomínio, ou seja não tem “dono” e por isso continua com entulhos e restos de poda de árvore, das árvores que, diga-se de passagem, meu pai plantou há muitos anos quando a rua era desértica e feia e os caminhões da prefeitura sequer passavam por lá.
Também os cachorrinhos perderam espaço de fazer suas necessidades nos passeios matinais/noturnos e os donos têm mais trabalho (o coco na terra sumia rapidinho com sol e chuva, agora no asfalto...afff....). Isso me lembra o velho Bob, que segundo o Bruno “está no céu dos cachorros”. Bob nos acordava todas as manhãs as 6:30h com seu latido forte, e não sossegava até abrirmos o portão pra ele dar sua voltinha e sua “aliviada”, pois não gostava de fazer sujeira dentro da garagem. O mais engraçado é que não fomos nós que o treinamos... Depois latia de novo pra abrimos o portão, ele entrava e estava tudo estava certo...
Eu não gosto de ficar reclamando. Ficou bonitinha até a rua. Agora pode-se andar de "scarpim" sem estragar o salto e nos dias de chuva ninguém correrá mais risco de escorregar na lama ou sair deixando rastros no piso da cozinha, a casa fica menos empoeirada e os adolescentes conseguem andar de skate e patins.
Mas confesso que eu preferia o corre-corre das crianças e dos cachorros, o poder andar fora da calçada e não precisar olhar pra atravessar a rua. Preferia, sim, arrancar os matinhos que teimavam em nascer na frente da calçada e preferia, sem pensar muito, o sossego de estar em um cantinho que não se assemelhasse à Paulicéia desvairada.


Achei que o asfalto embruteceu a terra....

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O dom do Simples


O dom do que o Simples dispensa se esconde na inaparência do que é sempre o mesmo.
Aos desatentos o Simples parece uniforme.
A uniformidade entedia.
Os entediados só vêem monotonia ao seu redor.
O Simples desvaneceu-se.
Sua força silenciosa esgotou-se. Perdemos quase completamente a capacidade de admirar-nos, fascinar-nos, maravilhar-nos com o Simples.
Perceber no comum e no diário aquilo que é incomum e não diário, o "mirandum", eis o princípio do filosofar.
Nesse ponto o ato de filosofar se assemelha à poesia...a contemplação é um conhecimento com amor.
É a visão do Ser amado, que nos maravilha, fascina e encanta.
Paz a todos!

segunda-feira, 9 de junho de 2008



Faz um tempão que eu mesma não escrevo nada.
Fiquei meses sem postar e nos últimos dias coloquei aqui fragmentos que vieram de outrem, mas não foi por falta de criatividade, nem de tempo (bem, este sempre é escasso, mas conseguimos dar um jeitinho...).... É que tenho sofrido de “imaterialização”: não consigo fazer caber as idéias e os sentimentos dentro das palavras, aí elas se tornam apenas uma vaga representação do que eu queria dizer, e o essencial, que eu queria de fato colocar no papel fica distante, como que "maculado"!
Para um lenitivo do meu “mal”, recorro à sentença de Saint-Exupery que diz mais ou menos assim: “ninguém passa por nossa vida inutilmente; cada pessoa leva um pouco de nós e deixa um pouco de si” ...então tenho colocado aqui “pedacinhos” vindo de amigos, de conhecidos, de desconhecidos, de experiências, etc...mas que de qualquer forma expressam um pouco do "eu mesma".
Ultimamente me sinto "en-cantada"! Digo assim mesmo porque é como se várias melodias ficassem ecoando no meu íntimo. Sinto-me deslumbrada apenas por viver, respirar, sentir o sol na pele e o vento bagunçando os cabelos, encontrar e reencontrar amigos e conhecer pessoas novas, e descobrir quanto do bom e do belo de Deus mora em cada um... Ele está tão perto... isso me fascina!!!

Estou assim, apaixonada pela vida e pelo Doador dela, mesmo com as lutas enfrentadas no dia-a-dia na busca do bem e da verdade, para ser um pouquinho melhor para Deus e para os queridos e queridas que vou encontrando pelo caminho. Quem sabe neste trajeto eu consiga semear um pouco de paz e alegria...