quarta-feira, 2 de julho de 2008

Poesia para os dias de rebeldia...


Não tem jeito! Por mais que procuremos ter ascese, auto-controle, boas maneiras, educação, delicadeza, sensibilidade e sensatez, tem dias que a gente acorda “daquele” jeito!!!! Quando isso acontece, acho que ajuda:

1) recolher-se em Deus;
2) falar o mínimo possível pra não magoar nem irritar ninguém (isso também evita ouvir coisas que te enervariam mais...);
3) ouvir uma boa música, comer alguma coisa gostosa, e quem sabe até tomar um vinho;
4) fazer algo que realmente dê prazer e eleve o bom ânimo (as vezes algumas coisas que elevam o bom ânimo não são tão prazerosas, por exemplo: capinar, ...mas funciona que é uma beleza!!).

O que me instiga a escrever hoje são aquelas “respostas prontas” que recebemos de vez em quando daquelas pessoas que não se lembram de nos ligar, de fazer uma visita, de mandar um email que seja...Essas pessoas raramente se preocupam em saber de fato como estamos, e quando perguntam, parecem que o fazem mais por convenção do que por qualquer outra coisa, tão indispostas estão de deixar um pouco de si na reciprocidade da pergunta. Parecem mesmo que querem arrancar algo do nosso íntimo para, em seguida, fartar-nos com suas “receitas de vida”, como aqueles bolos de caixinha que compramos semi-prontos, querendo que elas nos desçam goela abaixo! O pior é quando se percebe que aquele discurso parece ser para convencer a si mesmo (e não a outrem) de algo, tamanha a visível inquietude nas palavras do locutor! Quem já passou por isso sabe exatamente do que se trata!!!
Todos erramos, tropeçamos muito, caímos inúmeras vezes, mas isso é natural em qualquer percurso!
Penso que quando buscamos de coração sincero, a Verdade se deixa encontrar.

Mas para isso é preciso paciência, humildade, perseverança....



Cântico Negro (por José Régio)


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:

Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém. - Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe


Não, não vou por aí!

Só vou por onde Me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...


Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.


Como, pois sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...


Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí!

5 comentários:

Thaís disse...

olá, Grazi
agradeço sua visita em meu blog e fico feliz que goste do conteúdo.

um abraço,
Thaís

Leandro Souza disse...

Olá amada Grazi,

É verdade, há pessoas que são como sombras em nossas vidas: dizem que nos "amam" mas na verdade são como silhuetas movendo-se pelos dias, não possuem uma "existência" - no sentido extremo da palavra.
O José Regio é realmente incrível, gosto muito dos poemas dele, parabéns pela ótima escolha.

Abraço de urso e até breve,



PS: Fiquei devendo o haikai da semana pois a semana passada parecia uma lebre fugindo do caçador, rs. Em breve coloco novidades. Obrigado pelo comentário dear. See ya.

Hudson Nogueira disse...

Olá Grazi, voce me privilegia com sua visita ao meu blog. Identifiquei-me com o seu texto. Quid est veritas? (o que é a verdade? - Poncio Pilatos)
A sua resposta: "a Verdade se deixa encontrar", me satisfez momentaneamente... momentaneameante até encontrá-la.

Pax et Bonnum
Hudson

John, O Lobo disse...

Olá! Obrigado pela visita ao meu blog!

O seu é muito bom, estou lendo vários posts aqui.Gostei também das imagens que você escolhe. Nota 10 ^^

Grazi disse...

queridos,
obrigado a todos, de coração, pelas visitas retribuídas.

tenho visitado com frequência o blog de vcs, embora por ser sempre as escapadelas em meio a rotina de trabalho, não consigo deixar comentários como gostaria.
gosto sempre:

da taís com as super dicas culturais;
do lê com a doce serenidade e o olhar cândido sobre a vida;
do hudson com seus versos (tantos gostos e até um pedaço de nosso passado em comum! engraçado como a vida é né...como fui te achar aqui menino...rsrsr)
e jonh, o lobo, q tem umas reflexões ótimas (ainda quero saber a história do tal gato citado em uma de suas narrativas, por favor...)

e ainda outros amigos e queridos q lêem, comentam. escrever aqui é só uma desculpa pra gente, de alguma forma, permanecer perto!!!

bjos