quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Corridinho


Adélia Prado


O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


(P.S: Recado para o amor: Por favor, me encontre...)

3 comentários:

Deia disse...

Grazi,

Que alegria de Adélia, hoje!
Em tantos nomes Amor, eu me deixo envolver por um que me toma nos braços e faz de mim o que quer; em nome de tantos Amor(es) eu grito e amo, e num método maluco faço valer o que é!
Eita Amor danado, que me faz falar, ser falado... falada... por amor; com ele ou nele!
Gosto do Amor descompromissado, sem reservas... há quem não goste?
Que maravilha sentir o coração cheio de apertinho... apertozinho... um coração inundado, ou repleto... e tantos quantos forem os adjetivos...
É nesse Amor: muleque, peralta... que vivo meus sonhos!
Foi por causa desse amor que encontrei pessoas como você!
Vou ler o que você me recomendou!
Um beijo! AMADA

Hudson Nogueira disse...

Só quem não desistiu da busca pelo amor, apesar dos eternos percalços, pode escrever um poema assim. Que perfeita compreessao.
"A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir."

Que sorte a dos mortais que o Amor não cansa e nem se cansa. Somente avança.

Dei uma breve parada nos meus afazeres e vim aqui te visitar.

Abraços.
Hud

Leandro Souza disse...

Oi Grazi,

Espero que você e os seus estejam sobre o sublime frescor do Altíssimo.
Muito lindo esse poema da Adélia Prado, a poetisa das coisas simples na minha opinião. Ela é incrível. Você já leu algum poema da Lya Luft? Recomendo. É de sorrir e chorar ao mesmo tempo.


Tépido abraço e até breve se Deus quiser.
Leandro Souza :)